sexta-feira, 3 de maio de 2013

Ninho de vidas




Sou podre.
Estou podre.
A pele que me cobre se desfaz.
Os órgãos definham.
Ciclo após ciclo.
As criaturas morrem e se refazem.
Sinto:
O deslocar das larvas.
O alimentar das pragas.
O eclodir dos ovos.
A vida e a morte me habitam.
Travo uma batalha a cada respirar.
Vermes frescos são meus, involuntários, alimentos.
Cistos comandam meu pensar.
A cada micélio formado, noto o expandir do câncer.
O emaranhado de hifas sufoca a Aorta, entope as veias e colocam fim às batidas.
A guerra foi perdida.
As criaturas retornarão para a terra fria.
A carcaça será desabitada durante o definhamento.
Do resto fétido, a vida se formará e os vivos se alimentarão dos mortos.
O que era somente pó retornará a desempenhar a maldita função do caminhar.

Marco Aurélio Gomes Júnior.

 

3 comentários:

  1. Nossa! Temos um novo " Augusto dos Anjos"! Fantástica a sua capacidade de variar temas e estilos com tanta perfeição! A vida realmente é um ciclo, o eterno recomeçar... Que seja sublime, que seja o fim ou o começo; como já dizia o mestre Guimarães Rosa " A noite não é o fim do dia; é o começo do dia que vem."
    Parabéns! Ficou maravilhoso!
    Beijos!

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  2. Que isso Gilvânia, nem chego perto dos pés do grande mestre. kkkk Acho que eu ainda não defini um estilo único, escrevo aquilo que a imaginação manda. Gosto muito da contradição, vida e morte, claro e escuro .... meio barroco, mas as vezes sou meio aristotélico e outras sou mais platônico kkk enquanto não decido vou escrevendo.

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    1. Já é um bom começo...Vai testando as possibilidades até descobrir seu estilo, aquilo que realmente define você. Eu até hoje acho que não defini o meu... mas penso que estou perto... Beijos

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