quinta-feira, 23 de maio de 2013

Conta gotas



Vejo seu corpo despido entre os lençóis ao meu alcance.
Memorizo cada milímetro da sua superfície, da sua perfeição.
Não ouso tocá-lo, temo que acorde e se vá.
Em minhas lembranças guardo o eterno paraíso da infinita repetição.
Daria uma gota de minha alma por um beijo.
E de gota em gota até que reste somente a última gota, o restante de minha alma, que, enfim, trocaria pelo seu beijo.

Marco Aurélio Gomes Júnior.


domingo, 12 de maio de 2013

O meu único e eterno amor




Rainha da minha alma.
Deusa da minha vida.
Sua determinação me manteve vivo.
Foi a senhora quem me ensinou a ser forte, correto, justo e paciente.
A distância foi necessária, nos momentos de desavenças, mesmo assim, perdoe-me pelas lágrimas que a fiz derramar, pela minha imaturidade, pelas horas, preciosas, de sono perdidas.
Prometo.
Irei realizar seus sonhos.
Por mais que fiquemos distantes, sempre estarei contigo.
E tu:
Inspiração de cada dia.
Verdade do meu ser.
Amiga para toda existência.
Noite, meu luar e meu respirar.
Esmeralda cintilante.
Temporariedade.
Eterna, bela e perfeita mãe. 


Marco Aurélio Gomes Júnior.

 

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Ninho de vidas




Sou podre.
Estou podre.
A pele que me cobre se desfaz.
Os órgãos definham.
Ciclo após ciclo.
As criaturas morrem e se refazem.
Sinto:
O deslocar das larvas.
O alimentar das pragas.
O eclodir dos ovos.
A vida e a morte me habitam.
Travo uma batalha a cada respirar.
Vermes frescos são meus, involuntários, alimentos.
Cistos comandam meu pensar.
A cada micélio formado, noto o expandir do câncer.
O emaranhado de hifas sufoca a Aorta, entope as veias e colocam fim às batidas.
A guerra foi perdida.
As criaturas retornarão para a terra fria.
A carcaça será desabitada durante o definhamento.
Do resto fétido, a vida se formará e os vivos se alimentarão dos mortos.
O que era somente pó retornará a desempenhar a maldita função do caminhar.

Marco Aurélio Gomes Júnior.