terça-feira, 19 de novembro de 2013

* Ressonâncias *



Sou um sol que se esconde. Por traz das nuvens carregadas de chuva.
Deito minha cabeça no travesseiro. Meus fones de ouvido estrondantes. A música tentando gritar mais alto que meus pensamentos.
Isso já está virando rotina. Meu coração se esconde. Fechando as cortinas do sentimento. Mas não adianta. Te sinto até no vento.
Eu só quero que quando eu fechar os olhos pra dormir. Ver que você está por perto. Sentir as palpitações do seu coração.
Eu só queria que o mundo parasse. No exato momento em que eu te abraçasse. Gosto dessa definição : ‘’ um abraço é o encontro de dois corações ‘’. E quando os nossos se encontram é difícil distinguir um do outro.
Se proteja nos meus braços. No calor dos meus abraços. Como se tudo fosse fácil.
Quando os nossos olhares se cruzam. Desviamos. Ao mesmo tempo que perto. Longe estamos.
Eu ainda espero você assumir pra mim. Que tudo que me fez sentir. Também tocou você. Que quer me ver. Quer deitar-se no meu colo. Quer deixar-me te amar.
Sem indiretas. Sem clichês adolescentes.
Mas acho que você não consegue ver. Nem entender. A bagunça dos meus sentimentos. A confusão dos meus pensamentos.
Tento disfarçar. Mas a angustia toma conta de mim. Tento com todas as forças lutar contra esse amor.
Prometi pra mim mesma que não ia me entregar. Mas a vida é assim. E essa é mais uma promessa que eu terei de quebrar.
Eu só quero que quando meu coração parar. Bater pela última vez. Poder sentir a emoção de estar ao seu lado. A minha vontade. É que quando eu der o último suspiro de vida. Você esteja segurando a minha mão.
Encerro esses versos com as vistas embaçadas. Essas lágrimas quentes que escorrem pelo meu rosto. Queimam no fundo da minha alma.
Te amarei até que a lua vire sol.


Sara Póvoa

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Sacrifício



Pegue aquele punhal enferrujado.
Crave-o em meu peito.
Retire a única parte que o pertence desse corpo rejeitado.
Substitua-o pela estrela que lhe dei.
Costure-me com os dourados fios de seu cabelo.
Jogue meu corpo mutilado na congelante água de nosso rio.
Deixe que a minha carcaça seja levada pela correnteza
E que a minha alma viva satisfeita
Durante toda a eternidade
Junto à dos Deuses Pagãos.

Marco Aurélio Gomes Júnior.